Perdoar

Escrito por Gustavo S.

Perdoar é entender o ser humano e perceber que a pessoa não poderia ter feito diferente.
Isso não é o mesmo que aceitar, tolerar ou esquecer.

É duro e triste reconhecer que um assassino só pode cometer assassinatos.
Esse é o melhor que ele pode fazer pela sociedade.
Isso não o elimina de ser responsabilizado por seus atos e de ter que ser educados dentro das normas aceitas socialmente.
Seu passado, seu entorno, seus objetivos, seu conhecimento, sua percepção o levam a cometer assassinatos. Esse é o limite dele.
Karmicamente, claro, o assassino deve ser detido, responsabilizado e educado.

Quem nunca olhando pro passado e pensou “se fosse hoje faria diferente”?
Ainda bem que pensamos assim.
Ora, com o passar do tempo amadurecemos. Isso, por si só, já é um motivo para fazer diferente.
Há mais. Quando agimos no presente, temos um prazo para dar uma resposta. Diferente de quando analisamos o passado, onde não temos pressa ou outros fatores nos constrangendo.
Natural que hoje surja uma vontade de ter feito diferente. Mas com o conhecimento que tínhamos na época e a pressão pra responder ao evento, fizemos, com certeza, o melhor que podíamos. Se pudéssemos ter feito diferente, teríamos feito.
Isso, também, não elimina nossa responsabilidade.

Agir sem perdão, nos faz agir com raiva. Por isso não se pode fazer justiça com as próprias mãos. Se é a raiva, e não a justiça, que nos impulsiona, acabamos errando a mão.

É engraçado, mas relacionar-se pressupõe decepção. O que deveria ser algo bom, mais cedo ou mais tarde passa pela decepção. Olhem bem.
Para conhecer o outro precisamos dar oportunidades. Uma hora o outro não vai acompanhar a chance. É aí vem a decepção.
Isso não é ruim necessariamente.
Quando alguém não cumpre com o que expectamos dele, não é por maldade. Apenas atingiu-se o limite da pessoa naquele momento.
É assim que definimos nossas relações pessoais. Não é para ser o fim do mundo. Descobrindo a limitação do outro, definimos nossa intimidade.
Tem pessoas para o convívio profissional, outras para festas, ou para frequentar nossa casa. E por aí vai.
Eu posso perdoar uma pessoa mas não aceitar seu comportamento e não aceitá-la em meu convívio social.

Se alguém ou algo o decepcionou. Entenda-o. Sem críticas ou julgamentos. Apenas entenda. E então decida em qual tipo de vínculo deseja ter com tal pessoa ou coisa.
Quando não perdoamos nós ficamos atrelados ao nosso passado, desperdiçando o momento presente diante de nós.
Quem não perdoa vive e revive a situação num ciclo vicioso sem fim.
É nocivo.

Entender a limitação de cada em seu íntimo é perdoar.
Não se trata perdoar por perdoar. É entender, para então perdoar.
É entender profundamente a limitação do outro. Para daí poder conviver pacificamente.
Em um conflito de interesses, o mais sábio, sempre cede. Cede porque tem entendimento.
Para ter paz, é preciso abrir mão de ter razão e aceitar o limite da razão do outro.

E o mais importante: que nós perdoemos a nós mesmos.

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